quinta-feira, 22 de abril de 2010

Instrumentos, Estilos e Influências da Musica Indiana.

Junto com o teatro e a dança, na Índia a musica é sem duvida a actividade mais importante. Presente em todo o tipo de actos, é tão importante socialmente que elimina qualquer discriminação por razão de sexo, classe social ou casta, etnia ou religião. Se o músico ou cantor, homem ou mulher, é bom profissionalmente, não importa que seja budista, muçulmano ou cristão. Nas gentes que trabalham no mundo da música, a sua ideologia política ou religiosa fica em muito último termo. O que importa é a sua arte, que prevalece sobre todo o demais. Mesmo se perdoa que um bom músico ou cantor mude de religião ou de grupo político.

Por outra parte, a arte musical Indiana decorre por caminhos muito diferentes aos de outras culturas. Tem distinta notaçom musical e os símbolos musicais som outros. Porque também os instrumentos musicais, sobre os quais hoje falo no meu artigo, som próprios da Índia. Som peculiares deste grande país e nom aparecem noutras culturas e menos em Ocidente, algum que outro como a flauta (Bansuri) ou o violino e o harmonium. A riqueza da música indiana e dos instrumentos com que se toca é impressionante. Mais ainda, se somarmos aos mesmos as múltiplas variedades instrumentais das culturas dos povos tribais, que aqui muito abundam, como os Santales, os das ilhas do Índico e os situados ao norte do Estado de Assam, já no limite com a China.

Seguindo a classificação ocidental habitual de instrumentos de percussão corda e sopro, encontramos no subcontinente indiano um bom número deles, dos quais, como é natural, fazemos uma escolha dos mais destacados e importantes. Num pequeno artigo seria impossível incluir todos e sempre ficaria no tinteiro algum. Eis a nossa listagem:

1. De percussão : O mais popular e conhecido é a Tabla, típico no norte do país e, mais em concreto, em toda a Bengala (oriental e ocidental). Aprender a tocar bem a tabla, igual que a maioria de instrumentos indianos, leva muitos anos de aprendizagem e treino. Também do norte da Índia é o Pakhawaj (o j deve pronunciar-se como lh ou y grego e o h sempre aspirado) e a Nakkara. No sul da Índia temos o Ghatam, o Mridangam, o Thavil e a Khanjira. No Estado de Kerala destacam a Edakka, a Chenda e o Mizhavu. Em Karnataka o Sambal, o Karadi e a Tala. Em Rajastham o Morchang, o Bhapang e o Khartal. Noutros estados e territórios, sem contar os das tribos, temos o Dimdi, o Dholak, o Badangshi, o Maam, o Pung, o Mandar de Bihar, o Dup de Andhra Prodesh, o Karadi Majalu e a Tayambaka.

2. De corda: Os mais famosos instrumentos indianos som os de corda, em que destacam os músicos mais virtuosos como o grande Robi Shonkor de Bengala. Na minha biblioteca particular de Ourense tenho em CD quase toda a sua obra e é um prazer escuitar as suas ragas tocadas com o Sitar. Este instrumento é, por isso, o mais conhecido. Ao escutá-lo, transmite paz e serenidade. Mas, pelos quatro cantos da Índia, encontram-se muitos outros instrumentos de corda também excelentes. Em Bengala destacam a Ektara, de uma corda, e a Doktara, de duas, que usam os músicos ambulantes chamados Bauls. Estám ainda o Sarod, a Vina, com as três variedades de Rudra, Pulhavam e Vichitra Vina, o Sarangui, o Santur, a Tampura, o Rabab, a Chikara, o Banam, o King, a Pena, o Sindih Sarangui, a Kamaicha, a Sarinda, a Ravanhatta, o Gottuvadyam e o Violino.

3. De sopro: Finalmente, de sopro convém destacar especialmente a Bansuri (flauta), da qual existem muitos músicos virtuosos indianos. Também o Sanai, espécie de pequena trompete, o Nagaswaram, o Sundari, a Mukhvina, o Narh, a Algoza, o Pavri, o Pungui, o Shankh, o Khangling, o Mashak, o Surnai, a Bankia, o Khung, o Bans, o Mohuri, o Kol, a Ransinga, o Harmonium e o Limbu. A destacar a presença também da gaita-de-foles indiana, instrumento muito antigo, que nos lembra o nosso nacional galego. E convém assim mesmo sublinhar que a música árabe, e também a persa, teve muita influência, na época dos mogóis, na música indiana.

VÁDYÁS ( OS INSTRUMENTOS )

Os vádyás instrumentos musicais da Índia são divididos em quatro categorias.

1. Tat vádya - instrumentos de corda: São aqueles instrumentos que produzem som através de vibrações das cordas. Estes instrumentos são divididos em outras duas categorias -

a. Tat vádya - Aqueles que são tocados com dedos, unhas ou mijráb. Por ex. viná, sitár, sarod, tánpúrá etc.

b. Atat vádya - Aqueles que são tocados com arco. Por ex. Sárangi, isráj, violino etc.

2. Sushir vádya - instrumentos de sopro: Aqueles que produzem som através de sopro ou pressão do ar. Por ex. flauta, hármonium, shahnái, bín.

3. Avanaddha Vádya - são os instrumentos de percussão que são revestidos de pele de animais como carneiro, crocodilo, veado, cobra. Por ex. mridang, tablá, dholak, dafali, khanjari, nagádá, damaroo, dhol etc.

4. Ghan vádya - Aqueles que produzem som através de batidas. Por ex. jal tarang, manjirá, jhánjh, kartál, ghantá tarang etc.

Desde os tempos remotos os instrumentos musicais e técnicas vocais passaram por uma evolução a partir de uma grande influência dos grandes músicos e mestres, tendo uma contribuição valiosa do povo.

A música sempre foi intimamente ligada à religião e principalmente nos sentimentos do povo, contudo não ficou considerado como uma disciplina acadêmica, porém como devoção e filosofia da vida. Por esta razão a música evoluiu ininterruptamente. Considerando-se a música como o âmago do indivíduo, as invasões culturais estrangeiras não obstruíram o caminho da evolução da música clássica.

A seguir apresentaremos uma descrição resumida e figurativa de alguns dos instrumentos musicais, demostrando os resultados dessa evolução.






terça-feira, 20 de abril de 2010

Sitar - Instrumento de cordas






















Sitar


O SITAR é um instrumento muito antigo tendo sua origem no Iran, antiga Pérsia e foi finalmente desenvolvido por Amir Khusru no Norte da Índia, ele reuniu as qualidades da Antiga Rudra Veena e o Setar persa construindo um instrumento bonito, leve e de otima sonoridade.


Além do Sitar, Amir também é o criador do Surbahar, é um tipo de Sitar maior e com timbre mais grave.















Surbahar


Também criou a Tabla, instrumento de percussão de 2 partes criado a partir do Pakawaj, antigo instrumento de percussão Indiano muito parecido com o Mridamgam.
Amir cerrou o Pakawaj em duas partes, vedou a partes abertas de baixo e colocou as tiras de couro, daí surgiu a Tabla.


















Tabla




Hazrat Amir Khusru nasceu próximo a Lahore, era musico e poeta Sufi e viveu durante o reinado do Sultão Mughal Allaudin Khilji por volta do ano 1300 DC. Figura marcante de seu tempo Amir influenciou fortemente a musical vocal e instrumental fundindo os estilos Arabe, Persa e Hindu, remodelando os Ragas antigos e criando o estilo que todos conhecem como Hindustan Sangeet , ou Música Clássica Hindustan.
Contribuiu enormemente para o desenvolvimento da música romantica Indiana conhecida com Ghazal.

























George Harrison e Ravi Shankar em 1966.

O Sitar tornou-se mundialmente conhecido através de Pandit Ravi Shankar que foi patrocinado por George Harrison, Integrante dos The Beatles e aluno de Ravi Shankar nos anos 60.



Raja Singh

Harmonium - Instrumento de Fole Duplo.






















Harmonium Criado por Alexandre Debain em 1842

















Harmonium adaptado aos modos Indianos.



O Harmonium é um instrumento de teclas e fole duplo de origem Europeia,
foi criado por um Francês, Alexandre Debain em 1842.
Sendo introduzido na India na epoca da Colonização Inglesa.

Os Harmoniuns foram instalados a principo nas Igrejas e comunidades cristãs e possuiam pedal para bombear o fole.
Com o tempo o som daquele instrumento ganhou o gosto dos nativos e foram adaptados com foles manuais e seu tamanho foi reduzido para adaptar-se ao costume nativo se cantar sentado ao chão.

O modelo criado inicialmente é praticamente extinto e o modelo Indiano tomou seu lugar sendo usado até os dias atuais em Música Clássica Hindustani, Hindu Bhajans, Ghazals, Sufi Qwwalis e Shabad Gurbani Sikh.





Mridangam ou Mridang - Percussão




O MRIDANGAM ou MRIDANG é um instrumento tipico do Sul da India, mas precisamente do Estado de Karnataka.








O Mridangam tem corpo feito em madeira torneada e oca em 2 peças separadas que depois são unidas e coladas, os couros das cabeças seguem o mesmo principio do KHOL sendo também em couro de cabra, um lado menos ( Daya ) e outro maior (Bayan) porém a timbre do Mridangam é mais seco, médio grave e de toques mais rápidos, precisos e variados. Existem também corpos desse instrumento feitos tradicionalmente em Cerâmica .

É o instrumento principal na musica Karnatic e da dança Sul-Indiana
conhecida por Bharat Natyam.

O aprendizado desse instrumento é demorado e exige-se a presença de um bom professor.


Kartal - Espécie de pandeirola de madeira.




O KARTAL OU KARTALA são dois pedaços de madeira entalhados e com pequenos pares de discos metálicos no interior das perfurações ao longo do instrumento.

Toca-se o Kartal segurando o par entre o polegar na perfuração menor e os 4 dedos da mesma mão na perfuração maior. Os movimentos são aleatorios dando efeitos diversos .

É um instrumento percussivo de louvor muito antigo sendo atribuído ao Semi-Deus Macaco Hanuman, Herói da Clássica epopéia Hindu do Ramayana.

Seu uso é feito em Bhajans e Kirtans hindus.
O Kartal é também usado na música Sikh e Sufi , pois inspira alegria contagiante aos devotos.


MAZIRA, Címbalos Percussivos.















A MAZIRA é um instrumento percussivo de origem Arabe e foi introduzido a cultura Indiana no Século 14 a partir do movimento Bhakti .

A Mazira é impressindivel na marcação do ritmo e a pessoa que o toca tem que ser hábil e conhecedora dos diversos tipos de toques.

Seu uso deve ser comedido pois tem um som bastante estridente podendo causar problemas de perda da sensibilidade auditiva em freqüências médias e altas.

Durante um Bhajan (musica contemplativa Hindu) deve-se usar apenas um de tamanho pequeno.
No Kirtan (Louvor dançante) deve-se usar no maximo 2 de tamanho médio.

A Mazira é usada em musicas folclóricas, devocionais e semi-clássica.

Raja Singh

KHOL - INSTRUMENTO DE PERCUSSÃO DA BENGALA

















O KHOL conhecido no ocidente como mridanga (corpo de barro ou ainda veículo de extase e transe mistico) nome dado pelos Vaishnavas , é feito de barro ou metal e existem versões da mesma em resina de fibra de vidro e as cabeças feitas em material Plastico quimico (Mridanga Balarama), criado por Vaishnavas Norte Americanos.

Este tambor de dois lados é usado na Índia do norte e leste para acompanhamento da música devocional (bhakti).

Este instrumento é original do estado da Bengala, India,
sendo muito usado pelo povo bengali, na música semi-clássica e folclorica.
Um dos lados do KHOL é muito menor que o outro. Ambos os lados estão cobertos com couro de cabra e as amarras são feitos das tripas e tiras de couro .




A cabeça menor (o dayan) e a grave, cabeça maior (o baya) normalmente é estendido em 3 camadas e amaradas com couro. No centro da pele é colocado uma pasta de arroz, cola e pó de ferro conhecida como o syahi. O tambor é tocado com palmas e dedos de ambas as mãos.


















Na ISKCON e em sociedades de Gaudiya Vaishnava, o KHOL é o tambor primordial para kirtan e bhajan.



Tutoriais para aprender a tocar KHOL em Inglês.

http://www.kksongs.org/khol/index.html

Raja Singh